Obras

Em Multiplicidades (2024), as pinturas partem da variedade de corpos, origens e histórias que ocupam um mesmo território. Não construí um mundo ideal: construí um espaço onde a diferença não precisa se justificar para existir. É o inverso do que acontece fora da tela, onde populações inteiras são varridas de seus lugares e a estranheza vira motivo de conflito.


A exposição fecha com Ponte de Chinvat (2024). No zoroastrismo, a ponte de Chinvat separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, e o que decide a travessia não é recompensa nem punição, mas a consequência natural das escolhas feitas em vida. Foi isso que me interessou: a ideia de que o destino de alguém é o resultado acumulado de decisões, não um veredito externo. Descartar é uma dessas decisões.


Em Sociedade do Descarte (2025–26), a matéria-prima vem do lixo. São objetos que a cidade produz para não ver – e que chegam ao trabalho carregando o que já viveram: marcas de uso, avarias, restos de função. Um dado descartado não guarda nada. Um objeto descartado guarda tudo. É essa diferença que a exposição investiga: o que sobrevive ao apagamento quando alguma coisa é jogada fora.

Há um fio entre as duas exposições, e ele é o mesmo gesto operando em escalas diferentes. Byung-Chul Han descreve uma crise da narração: informação em excesso, memória de menos, o ócio substituído pelo scroll, e com isso a perda do véu que dava mistério às coisas. O que essa perda produz é um mundo sem história acumulada. Foi o que reconheci indo do primeiro trabalho ao segundo: pessoas empurradas para a margem e objetos empurrados para o lixo perdem a mesma coisa. A narrativa de onde vieram. A arte aqui não devolve essa narrativa — apenas segura o desaparecimento por tempo suficiente para que ele seja visto.




Murais, encomendas e projetos (2019–2025)


Brain Parade


Calendários – Série Horóscopo Chinês


Customização – Mini Refrigerador Brastemp


Trabalhos anteriores (2011–2023)

O que veio antes tem outra temperatura. Meu trabalho se organizava em torno do acúmulo e da cor: composições densas, paleta colorida, muitas camadas de história em cada superfície. O Japão trouxe repertório visual, a moda ensinou pesquisa contínua, e o design deu a base — rigor, disciplina e direção. Essas obras vieram desse período. Nada delas ficou para trás.







